Por MegaWhat
A Kroma Energia inicia 2026 consolidando uma virada estratégica de comercializadora regional, com forte atuação no Nordeste, para geradora independente com 500 MW solares em operação e mais de R$ 1,5 bilhão investidos em ativos próprios.
O principal marco da nova fase é o Complexo Solar Arapuá, no Ceará, com 250 MW e investimento de R$ 800 milhões. O projeto acaba de entrar em operação e contou com financiamento majoritário do Banco do Nordeste (BNB), além de capital próprio. Segundo o CEO da Kroma Energia, Rodrigo Mello, a entrada em geração foi uma resposta direta à demanda dos próprios clientes e a experiência da comercializadora, que hoje conta com 1.600 unidades consumidoras sob gestão.
Mello destaca que essa base no mercado livre foi determinante para estruturar projetos com contratos de longo prazo e financiabilidade robusta, num projeto como de Arapuá. “Fechamos um preço bastante competitivo e entregamos no prazo. Isso nos credencia como empresa que sabe fazer, com qualidade e mitigação de risco de construção”, afirma o CEO e fundador da Kroma Energia.
O complexo Arapuá foi desenvolvido em parceria com a WEG, responsável pelo fornecimento de equipamentos e EPC.
A construção da geradora
Em operação desde 2024, a companhia construiu em Pernambuco, sede da empresa, o Complexo São Pedro e Paulo, (101 MW), que recebeu investimento de R$ 355 milhões estruturado como Parceria Público-Privada (PPP) com a Companhia ´Pernambucana de Saneamento (COMPESA).
Atualmente, a Kroma Energia trabalha para entregar o projeto Colinas, em Guaranhuns (PE), com 130 MW e investimento de R$ 420 milhões, previsto para entrar em operação em maio.
Além desses projetos, em 2018, entrou em operação o Complexo Apodi, no Ceará, com 162 MW. O projeto, fruto de leilão regulado, teve investimento de R$ 700 milhões. A estruturação abriu caminho para novas captações e consolidou o relacionamento com bancos como Banco Nacional do Nordeste (BNB), Bradesco e Itaú.
Rodrigo Mello aponta que o ambiente atual, com menor previsibilidade de leilões regulados, deslocou o foco para a autoprodução. Nesse modelo, a experiência como comercializadora torna-se diferencial competitivo. “A autoprodução exige proximidade com o consumidor, estruturação de consórcios e entendimento profundo de riscos e contratos. Essa sempre foi a nossa praia”, disse.
O executivo relata que o parque Arapuá já está totalmente contratado via consórcio. A estratégia de visitas e integração dos clientes aos ativos de geração, tem sido utilizada inclusive como ferramenta de marketing para consumidores que desejam associar sua marca à energia renovável.
Próximo passo: baterias e leilão de capacidade
Com a entrada dos 500 MW solares, o foco de 2026 será a entrega de Colinas e a participação no leilão de sistemas de armazenamento (BESS). A empresa planeja ofertar cerca de 250 MW em baterias, utilizando áreas e conexões já existentes nos parques. “Temos conexão, espaço, terra e financiabilidade. Vamos entrar com volume alto”, afirma Mello.
Para a companhia, o armazenamento é peça-chave para enfrentar o desafio da modulação solar e da adequação entre geração e carga, além de mitigar impactos regulatórios como a redução de descontos nas tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição (Tust/Tusd).
Comercialização segue como pilar
Apesar da ênfase em geração, a comercialização permanece estratégica. A Kroma ocupa as primeiras posições entre varejistas do Nordeste na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e pretende avançar no ranking. “É difícil dizer não ao varejo. Nosso DNA é proximidade com o cliente nordestino”, afirma o CEO.
A base atual soma 1.600 unidades consumidoras e continua crescendo, mesmo em um cenário de cautela por parte de alguns agentes que reduziram exposição ao fornecimento varejista.
A companhia prepara o lançamento de sua nova marca para refletir a integração entre geração e comercialização. A mudança busca posicionar a Kroma como “solução em energia”, reforçando a transição de trading para plataforma integrada.
Geograficamente, o foco segue no Nordeste, com Ceará e Pernambuco concentrando os ativos, mas a empresa já estuda expansão para o Centro-Oeste a partir de 2027, com projetos voltados à autoprodução para grandes cargas do Sudeste.
Investimentos e consolidação
Somando Apodi (R$ 380 milhões), Arapuá (R$ 800 milhões) e Colinas (R$ 420 milhões), a Kroma ultrapassa R$ 1,5 bilhão investido em geração própria. Para Mello, a consolidação como geradora independente fortalece a empresa diante da volatilidade do mercado livre.
“Você não cria um projeto de R$ 800 milhões no papel sem confiança. Tem que ter financiador, EPC de qualidade e risco mitigado. Estamos mostrando que sabemos entregar”, afirma Rodrigo Mello.
Com 18 anos de atuação e raízes no Nordeste, a Kroma entra em 2026 buscando consolidar a nova identidade: menos dependência de intermediação, mais lastro físico e aposta em soluções integradas que combinem geração, comercialização e, em breve, armazenamento.





